Outubro Rosa

 OUTUBRO ROSA, COISAS QUE APRENDI...
 
Espero que goste do meu texto. Minha intenção é mostrar como podemos ser positivos em um tratamento oncológico e como as pessoas podem auxiliar quem está nesta situação.
Sou paciente oncológica há três anos e oito meses. Em fevereiro de 2016 um braço inchado me fez procurar um médico mastologista e o tumor de mama se confirmou. 
Desde então fiz 13 meses de quimioterapia, cirurgia para a retirada da mama, um mês com sessões diárias de radioterapia e meu tratamento segue com imunoterapia. Vou ao hospital a cada 21 dias para receber medicação.
Mas não quero falar sobre meu tratamento. Meu objetivo é outro neste Outubro Rosa. Quero falar sobre as coisas que aprendi e que me fortaleceram nesta caminhada. Espero te ajudar e você ajudar ao próximo!
Primeiro: cada caso é um caso. Nenhum tratamento é igual ao outro, pois cada tumor tem suas características e protocolo indicado. Por isso, quando alguém fala sobre um caso que aconteceu com uma pessoa, talvez não tão positivo, não se compare, não se deixe abalar. Lembre-se que seu corpo é único, o tratamento é para suas características. As pessoas tendem a contar o que sabem sobre alguém com câncer e descarregam em nosso colo histórias pesadas, sofridas, que não precisamos ouvir neste momento de nossas vidas.
Segundo: tudo tem um lado positivo. E esta “chave” é difícil de virar em nossa cabeça e é um exercício diário. Atualmente, eu já estou no automático da positividade e quando uma pessoa fala algo negativo já consigo reverter. 
 
Dou exemplos:
 
- Estou com câncer!
- Opa! Descobriu a doença e agora vamos em busca do tratamento.
 
- Estou arrasada porque vou retirar o seio!
- Você está eliminando uma parte doente de seu corpo, isso é importante
 
- Coitado de “fulano”...
- Não, nada de coitado!!!! Vamos incentiva-lo a fazer o tratamento e buscar a cura
 
- Estou tomando vários remédios
- Ainda bem que temos a disposição os medicamentos, vamos usá-los
 
- Estou sem cabelos, tenho vergonha, não vou sair de casa
- Isso é provisório, mas vamos escolher um lenço, chapéu, boné, touca, peruca....o que você achar melhor...
 
Terceiro: o peso negativo que se dá a doença. A sociedade já decreta a morte da pessoa apenas com a informação do diagnóstico. Precisamos mudar isso! O câncer é uma doença grave, sem dúvida alguma, mas o tratamento existe, assim como a cura. Não ouço ninguém dizer com voz de choro e ombros caídos “fulana tem diabetes...”. A derrota tem que parar! Assim como o uso da palavra quando se deseja dar a dimensão mais explícita da maldade para uma situação: “este governo é o câncer do país”, “tu és o câncer da nossa família”. Ou seja; é a sociedade afirmando que a pior coisa que existe na vida é o câncer e usa a palavra com negatividade. Não façam isso, sejam humanos! Pensem nas pessoas que têm câncer e lidam com a sociedade legitimando o câncer como a pior coisa que existe. Pensem antes de falar.
Quarto: por que eu? Nunca, em quase quatro anos de descoberta e tratamento da doença, eu ousei pensar ou falar isso. Para mim, este pensamento reforça que eu não aceito ter esta doença...e quem deveria estar enfermo é o outro. Porque para mim é automático o pensamento: “por que eu?....e não o outro”. Não pergunte por que e sim para que...
Quinto: câncer é castigo, é a lei do retorno na sua vida. Putz, aí “me quebra”. Mais uma vez é a sociedade afirmando que sou punida com a pior coisa que existe. Que fiz algo de ruim e estou recebendo uma lição. Sejamos adultos, e mais bem informados, não confundam as coisas. O desejo de fazer o paciente oncológico se sentir culpado por algo é tão assustador quanto maldoso. Cuide com as palavras.
Não. Isso não aconteceu em um passe de mágica. Ter pensamentos positivos, acreditar no seu tratamento, saber usar as palavras adequadas, não me punir não aconteceu do dia para a noite. Foi um exercício. Outras coisas vieram juntas com estas mudanças de pensamentos e atitudes. Te convido a virar a chave como eu fiz, vale a pena. 
A vida é bela!!!
 
Texto: Tharcila Werlich
 
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